O equilíbrio d’A Morte

Não sei aqui quem gosta de poesia, mas estava percebendo que um dos meus poemas favoritos representa bem a dinâmica da carta d’A Morte. É o “Autotomia”, da poetisa polonesa Wisława Szymborska (foto). Confiram:

Diante do perigo, a holotúria* se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.

Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.

Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.

Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um voo.

O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca.

*Também conhecido como pepino-do-mar, é um invertebrado que habita as águas profundas dos oceanos.

Se por um lado, A Morte representa um descarte inexorável, por outro, a experiência deste arcano nos coloca rumo ao futuro, rumo a uma nova situação, assim como as cartas de número 5 também anunciam. Contudo, fica sempre o lembrete: Não Morrer Demais, “três pequenas palavras que são as três plumas de um voo”. Morrer apenas o estritamente necessário. Chegar ao essencial, que é outra recomendação desta carta. Nada mais, nada menos. Apenas a medida exata de certa nudez. Boa Morte a todos!

beijo grande

Yuri Assis
Equipe Yub de Tarot
Twitter: @assisy
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A Morte, o erro e a culpa.

Quando o Arcano 13 sai no Templo de Afrodite designando uma pessoa, por exemplo, tendemos a dizer que essa pessoa que o consulente está interessado é muito exigente, crítica, dura.

Isso é fato. Constato isso na prática. A partir desse detalhe do perfil de uma pessoa num jogo para relacionamento amoroso, eu passei a observar a aplicação dessa dinâmica dA Morte como Arcano do Dia ou em outro Método de Tarot.

Foi aí que percebi um ponto bem interessante… Reparei que quando se erra em alguma tarefa do cotidiano – justamente no dia em que A Morte é a carta que o representa -, a dor desse erro dói nos ossos (morte – esqueleto). E, claro, a culpa vem a galope.

E por que a culpa vem visceralmente diante do erro?

Porque A Morte simboliza uma baita exigência crítica. Quando somos muito exigentes conosco, o erro dói muito mais.

Porém, A Morte vem exatamente mostrar que os erros são veículos da mudança (tema central desse Arcano). É por meio do reconhecimento dos nossos erros que temos a oportunidade de mudar, ao fazer diferente da próxima vez. É isso que gera crescimento, desenvolvimento, mudança construtiva.

Em vez de ficarmos com o sentimento de culpa (o qual denota um grau de exigência absurda), precisamos encarar o erro como um instrumento de mudança, um sinal do que precisa mudar. Eis o que A Morte vem nos ensinar…

Beijãozão nocês…
Yub

A Morte: a arte de cortar em busca do essencial.

Na semana passada, não tive muito tempo para me dedicar aos blogs. Apenas consegui a regularidade para publicar o Horóscopo de cada dia no Blog de Astrologia. Porém, isso não me impediu de continuar jogando o par de Arcanos para cada dia – e a perceber nuances de cada Arcano na vida prática.
Nesta etapa final de trabalho na criação do novo produto de Numerologia para o Personare, eu sorri no dia em que saí com A Morte como Arcano do Dia. Percebi o que os manuais-livros de Tarot dizem a respeito do Arcano 13 do Tarot. 
Costumamos ler: “Mudanças necessárias, desencadeadas pela própria pessoa e com dor, sofrimento.”
Eu vi que A Morte retrata bem a tarefa do escritor. Porque saber escrever bem é saber reescrever e cortar, cortar e reescrever, reescrever e cortar. Ou seja, qualquer palavra, frase, parágrafo que disperse e fuja do essencial devem ser cortados do conteúdo escrito. É a busca do essencial, do prioritário. Para isso, é preciso podar esses detalhes supérfluos, enxugando sem dó nem piedade….
E foi esse o doloroso processo que tive de fazer em determinadas interpretações… tive de cortar certos adjetivos em excesso… a cada poda destas que fazia, era uma dor no coração desse escritor aqui… foi duro… mas essencial!
Taí! Eis um belo lema para a morte: pode ser doloroso fazer tais mudanças, mas estas são essenciais.
Beijãozão nocês…
Yub 

Detalhes sobre A Morte e A Torre como Arcanos do Dia

Esta tem sido uma semana intensa… Na terça-feira, saí com A Morte. Ontem saí com A Torre. Hoje novamente estou com A Torre como Arcano do Dia. Ao comparar esses dias com os outros em que já tirei tais Cartas, identifiquei claramente um padrão. Sabe qual é?
O de aquilo que está planejado – ou a rotina que se costuma seguir em determinado dia – é completamente alterado. Dificilmente as coisas são realizadas conforme costumeiramente o são. Elas tomam um novo rumo, com a rotina sendo modificada, quando A Torre e A Morte se fazem presentes como Arcanos do Dia. 
O detalhe é que, nA Morte, nós reconhecemos que é melhor fazer alguma outra atividade ou modificar os planos por conta própria. Nós incidimos nossa vontade ao percebermos que precisamos fazer diferente. 
No caso dA Torre, nós procuramos de tudo quanto é jeito controlar as atividades do dia, a fim de manter a rotina e a realização do planejado. Mas imprevistos, os quais estão além de nossas forças, surgem e alteram completamente os planos e atividades do dia. E nos remetem para situações e para um ritmo de vivência cotidiana diferentes daqueles que imaginávamos para o respectivo dia. Ao final deste, se formos sinceros conosco mesmos, reconheceremos que, no fundo, o que queríamos de fato é viver o que a vida nos levou a viver – ou o aprendizado do que tal dia tinha para nos ensinar.
Beijãozão nocês…
Yub

Morte como Arcano do Dia

Morte como Arcano do Dia:


As questões do dia de hoje estarão apresentando-lhe a necessidade de enxergar aquilo que é verdadeiramente essencial nessas situações, de modo a ceifar aqueles pensamentos, hábitos e excessos que não são úteis.
Tudo bem que mudar esses hábitos e realizar essas mudanças ao viver o dia de hoje pode ser doloroso. Mas você está mesmo com disposição de passar conscientemente por essas dores, assumindo os erros que cometeu e tentando outras saídas a partir de novos hábitos.
Assim, abrindo espaço hoje para se concentrar no que é essencial e estrutural nas questões deste dia, tem tudo para enfrentar as necessárias mudanças, libertando-se de certos apegos, ilusões, bloqueios e limites.


Obs.: Compartilhe conosco o que você viveu no dia de hoje, a fim de aumentarmos nossa compreensão sobre a manifestação prática do que este Arcano simboliza.


Beijãozão nocês…
Yub