O Papa e a bigamia em jogos de Tarot de Amor (Templo de Afrodite).

Em alguns Templos de Afrodite que tenho feito nos últimos meses, um detalhe tem me chamado a atenção. A bigamia do Papa. É o mesmo triângulo amoroso que se forma no Enamorado. Não por acaso, eles são semelhantes ao apresentarem uma cena em seu simbolismo. 
Qual, Yub?
Uma figura central dividindo sua atenção para duas outras. Veja acima a imagem do Papa e abaixo a do Enamorado:
O detalhe é que o Enamorado não gosta de tomar decisão e acaba mantendo outras duas pessoas em sua vida afetiva (pessoa parceira e amante, por exemplo) por essa insegurança de perder uma das partes. Então, vai enrolando as duas. 
Já o Papa não. O Papa acredita na instituição família. Não larga a esposa ou o marido por não querer desestruturar o lar, os familiares, a sociedade. Principalmente porque a maioria dos Papas que saem em meus jogos tem apontado para um casamento de fachada no qual um é homossexual. E não assume publicamente, socialmente, essa sua opção sexual. 
Ele age muitas vezes eticamente para dar o melhor para cada família e cada pessoa parceira (a oficial e a amente). 
E é possível ver essa atitude justa e baseada em seus princípios morais, sociais e éticos na figura do Papa. Ele está diante de dois servos. E não há desarmonia entre eles e a figura central. O sacerdote vê ambos de frente, de igual para igual. 
Já no Enamorado não. Uma está de um lado e outra de outro. Quando olha para uma, não olha para outra, embora seu corpo esteja voltado para essa outra. 
Não por acaso há maior confusão, dúvida e incerteza no Enamorado (na pessoa simbolizada por esse Arcano quando este sai no Templo de Afrodite, por exemplo). 
Obs.: quem inicialmente me alertou para esse detalhe da bigamia do Papa no Tarot foram as tarólogas Juliana Diniz e Luciene Ferreira. Sempre aprendo MUITO com essas duas…
Beijãozão nocês…
Yub

O Papa e O Eremita: a diferença entre seus saberes…

Tô aqui me deliciando com a leitura de O Poder do Mito, do Joseph Campbell. Ontem cheguei num trecho que me lembrou bem a diferença entre O Papa e o Eremita. Eis a transcrição:

“Há uma diferença básica, como eu vejo a questão, entre um xamã e um sacerdote. O sacerdote é um funcionário de uma determinada categoria social. A sociedade reverencia certas deidades, de uma certa maneira, e o sacerdote é ordenado como um funcionário incumbido de conduzir o ritual. A deidade à qual ele se devota já estava lá antes que ele aparecesse. Mas os poderes do xamã estão simbolizados nos seus próprios familiares, deidades de sua própria experiência pessoal. Sua autoridade decorre de uma experiência psicológica, não de uma ordenação social.”

O sacerdote é, inclusive, o nome que muitos tarots dão ao Papa. E este é uma autoridade instituída. Seu papel é submetido a uma ordenação social.

Um padre é um exemplo de Papa do Tarot. Ele foi ordenado. Fez curso, se preparou e foi aprovado pela ordem religiosa a qual se submete. Ele pode não ter tido nenhuma experiência mística. Mas acredita nas experiências dos santos da igreja a que pertence. Ele é um transmissor daqueles códigos preconizados pela sua ordem. Segue a Bíblia.

Ele não pode sair dessa codificação, desses preceitos. Precisa obedecer a essa ordem da qual faz parte.

O Eremita (que não sei até que ponto pode ser semelhante a um xamã) é diferente. Ele está sozinho. Não está amparado pelo trono do qual O Papa se encontra assentado (ou seja, amparado por essa estrutura instituída).

O Eremita conta consigo próprio, com sua própria luz interior. Ele, sim, teve a experiência direta e compreendeu o que viveu através de sua vivência psicológica, mística, enfim, de autoconhecimento.

Não tem uma ordem institucional para ampará-lo. Ele segue tateando no escuro a partir do seu próprio brilho interior. É este que ilumina o seu caminho.

Então, quando O Papa surge em nosso jogo de Tarot, seria bom perguntarmos até que ponto estamos reproduzindo teoricamente e intelectualmente certos códigos, padrões morais e religiosos dos preceitos que seguimos. Até que ponto estamos nos fundamentando não numa experiência pessoal, direta e intransferível, mas, sim, no que outros disseram que viveram…

O doido é que justamente O Papa representa aquele atributo de dogmatismo, de fanatismo, de imposição de certas crenças. Talvez porque não experimentou por si próprio se aqueles preceitos são válidos realmente para si ou não.

O Eremita não tem esse lado dogmático, fanático, de impor suas verdades. Talvez porque ele próprio experimentou o contato com a luz e sabe que cada pessoa está só diante das verdades da vida. E que cada um precisa descobrir por si próprio o que é válido ou não para sua experiência pessoal.

Essa vivência nos proporciona compreensão. Sabemos que nossa verdade não precisa ser imposta e nem idêntica à verdade do outro.

Beijãozão nocês…
Yub

O Papa: conflitos com a autoridade.

Eu fico impressionado com as experiências práticas, cotidianas, que nos mostram a manifestação do que cada Arcano simboliza.
Ontem, uma amiga – incentivada pela minha prática com um par de Arcanos para descrever a dinâmica do dia – tirou um também: O Papa (com o 2 de Espadas). Ela vem fazendo isso desde o início de janeiro, motivada pelo que tenho compartilhado aqui no Blog. Isso me emocionou… rsrs
Quando Arcanos como O Papa, O Imperador, O Diabo e até mesmo O Sol aparecem no Tarot, a possibilidade de haver a forte influência de uma figura de autoridade na vida do consulente é grande. Ou ele próprio exercer esse papel.
Então, essa amiga minha compartilhou comigo o quanto lidou com a probabilidade de deflagrar conflitos (2 de Espadas) com uma figura de autoridade (Papa) de seu trabalho. Ela, na verdade, me ligou para perguntar o seguinte:
– Yub, estou na dúvida no que diz respeito aos atributos do Papa – disse-me ela. 
– Qual dúvida? – perguntei.
– É que o Papa é muito certinho, gosta de seguir as regras. E eu, hoje, não fiz isso. Eu desobedeci determinadas regras em meu trabalho e não cumpri com o que meu chefe preconiza como sendo o correto. 
Logo perguntei para ela:
– Você fez aquilo que VOCÊ considerava o CERTO? 
Ela respondeu: – SIM! Fiz o que EU acreditava ser o CORRETO. 
Aproveitei para lhe detalhar essa faceta do Papa. O Papa segue os princípios que CADA UM DE NÓS acredita. Não segue simplesmente a lei, as regras de determinada pessoa, religião ou ambiente. Sua conduta é, acima de tudo, exercida segundo o que NÓS ACREDITAMOS ser o CORRETO. 
Se acreditamos em algo, esse algo é o correto para nós. E é a esse princípio que seguimos quando O Papa está atuando. 
Depois perguntei para ela:
– Você desobedeceu às regras de seu ambiente de trabalho e de seu chefe por rebeldia? 
– Não – respondeu minha amiga -, eu desobedeci porque o que eu acreditava ser o mais correto, me exigiu a decisão que tomei. Considerei mais correto do que as regras de meu chefe. 
Mas, de todo modo, envolveu uma figura de autoridade: o chefe dela. Minha amiga considerou ter mais autoridade para decidir o que era melhor do que seu próprio chefe. E com o 2 de Espadas na parada, o qual busca evitar conflitos diretos e objetivos, ela exerceu sua autoridade (Papa) com receio de gerar uma situação combativa direta. Torceu para não afrontar diretamente (2 de Espadas) o seu chefe (=autoridade/Papa).
Bem bacana, né? Os exemplos práticos, vivenciais, nos ensinam TANTO sobre os Arcanos do Tarot…
Beijãozão nocês…
Yub

O Papa: reconheça o saber do outro

Eu tinha escrito sobre a importância de compartilhar nossos conhecimentos quando O Papa sai num jogo de Tarot: http://yub-tarot.blogspot.com/2010/11/o-papa-transmita-seus-conhecimentos.html
Ontem saí com O Papa novamente como Arcano do Dia. E, desta vez, em vez de comunicar os paradigmas que acredito, eu ouvi o que o outro tinha a me ensinar. Tive aula – a penúltima – do Curso sobre Interpretação de Sonhos (na linha junguiana). E ouvi do Italo uma discordância sobre uma determinada postura interpretativa minha. Ele me mostrou como certos princípios numa interpretação de sonhos precisam ser seguidos.
Fez sentido o que ele compartilhou comigo. Reconheci a autoridade do saber dele. Eis uma outra faceta dO Papa: em vez de ensinar, é bacana aprender. Ou seja, ouvir o que o outro sabe – tais como os fiéis da carta acima ouvem o Sacerdote. E aprender com esse conhecimento transmitido pelo outro.
Perceberam uma sutileza do Tarot? Compartilho com vocês agora.
Em um sonho, cada pessoa que está ali presente no conteúdo onírico (personagem) representa algo de nós próprios. Do mesmo modo, cada elemento existente no desenho de um Arcano TAMBÉM representa algo de nós ou da situação em que estamos envolvido.
No caso dO Papa, existe a figura de autoridade que compartilha o saber. E também há os dois fiéis que, em posição de humildade e escuta, aprendem com essa figura de autoridade. E quando o Arcano 5 do Tarot surge como Arcano do Dia ou em outro Método de Tarot, ele pode estar mostrando que nós estamos ocupando a posição do especialista, no papel daquele que sabe (o sacerdote da Carta). Ou que nós ocupamos a posição daquele que pede ajuda a alguém que é dotado de um saber (os fiéis desenhados na Carta).
Ontem eu explicitei para o Italo o meu desejo de fazer terapia com ele a partir do ano que vem. Porque a minha atual terapeuta, com a qual estou há dois anos, eu não levo meus sonhos e trabalho com eles na terapia. Porque ela não segue a linha junguiana. Agora estou com necessidade de trabalhar com uma figura de autoridade na área da Psicologia Analitica os meus conteúdos oníricos. 
Beijãozão nocês…
Yub

O Papa: transmita seus conhecimentos

Tá vendo na figura que o Papa tem uma platéia? Seus súditos o escutam com reverência. O Papa é dotado de conhecimento para ser transmitido. Ele é o estudioso das leis, dos princípios que regem as crenças que acredita e segue.
Então, uma situação arquetípica (compartilhada pelas pessoas, comum aos seres humanos) é esta descrita pelo Arcano 5! Aquela circunstância em que as pessoas te fazem perguntas sobre o que você acredita, sobre sua fé e sobre o que estudou, aprendeu e conhece. Principalmente, sobre o tipo de saber diante do qual você é uma autoridade no assunto. 
Ontem, eu estava com o Papa como Arcano do Dia. E, pela primeira vez, tive o prazer de conversar com minha afilhada sobre Astrologia. Há muitos anos eu esperava por essa oportunidade. Ontem eu dei exemplos clássicos do Ascendente em Sagitário, o qual ela tem no Mapa Natal. E fui citando várias situações dela que exemplificavam esse jeitão “Ascendente em Sagitário” dela. 
Logo em seguida, pude expandir a fala astrológica para outros familiares. Estes ficaram curiosos e tive a oportunidade de transmitir com mais didática – e exemplos práticos – certos conhecimentos de Astrologia para eles.
Beijãozão nocês…
Yub