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Então… co-criar é isto?

 

Há algum tempo, cerca de um ano, eu não entrei em contato com algo sobre co-criação. Já escrevi bastante sobre minhas experiências e reflexões a respeito da arte de co-criar a realidade. E parece que fiquei praticando e testando consideravelmente o que envolve esse tema.

 

Na semana passada, tirei um tempo do meu dia para reler a transcrição do programa Roda Viva de 2008. Aquele com a participação do Amit Goswami. Puxa, foi muito enriquecedor. Observei certos detalhes com outros olhos. E tive uma experiência legal quando me questionei sobre como, então, devo co-criar a realidade. Compartilho agora com vocês.

 

Amit Goswami dá um exemplo bem interessante. Vou resumir: imagine uma situação em que você e uma amiga sua, cada um dirigindo o seu carro, se deparam com um cruzamento à frente. Ambos estão com pressa e precisam cumprir certos compromissos. Cada qual deseja que o sinal esteja aberto para si. Criam esse desejo. E procuram criar essa realidade. Como fica? O sinal ficará verde para quem?

 

Amit diz:

“A consciência é não-local. É justamente isso que falta na expectativa do senso comum, que preconiza a possibilidade de mudar uma possibilidade em um evento real com o cérebro a partir da nossa identidade comum e local, escolhendo assim coisas desejáveis para nós. Nós não podemos, infelizmente.”

 

Então, que diabos é co-criação? Como co-criar? O que é consciência não-local, já que a nossa consciência individual é considerada uma consciência local.

 

Aqui entra a minha vivência.

 

O Cruzeiro enfrentou o Santo André pelo Campeonato Brasileiro na 4a.feira retrasada. Perdia de 1 x 2 até os 38 minutos do 2o.tempo. Até os 45, empatou. E nos acréscimos, virou o jogo. Uma vitória espetacular, dramática, por 3 x 2. Ouvi no rádio. E não vi os melhores momentos na respectiva noite.

 

Queria MUITO ver esses momentos da partida no Globo Esporte da 5a.feira. Porém, tive de sair para resolver alguns assuntos numa agência dos Correios e visitar a mãe da Cris que estava hospitalizada. Ia me encontrar com a Cris no hospital para almoçarmos na rua.

 

Esqueci de deixar o DVD gravando o programa esportivo. Saí de casa 11 horas. Resolvi os lances no correio e no banco e continuei andando. Olhei para o relógio e vi que não chegaria a tempo de assistir o Globo Esporte na recepção do hospital. Aceitei esse fato, pois já eram 12:40h. O Globo Esporte costuma começar às 12:45h aqui em BH. Estava num ponto do caminho que demoraria ainda uns 15 minutos até chegar ao hospital.

 

Tinha desejado ver os melhores momentos do jogo do Cruzeiro contra o Santo André. Mas, infelizmente, o sinal vermelho me impediria de realizar esse desejo. Outra pessoa precisava passar no cruzamento com o sinal verde…

 

Quando senti essa frustração, me entreguei. Prestei atenção na minha respiração enquanto andava e fui sentindo aquela bela serenidade. Até que me veio outra idéia:

 

– Bom, se não conseguirei assistir o Globo Esporte na recepção do Hospital, quem sabe eu não encontro os melhores momentos dessa virada espetacular do Cruzeiro na internet? Talvez no próprio site do programa, na globominas. E me entreguei ao momento. Continuei caminhando serenamente.

 

O hospital onde ia (o Vera Cruz) é na região militar. Há o 12o Batalhão de Infantaria perto e vários serviços prestados aos militares por ali.

 

Em determinado momento, nesse caminho, eu passo por uma clínica médica de militares e o que está passando na recepção??? Sim, Globo Esporte!! Justamente nos melhores momentos do jogo do Cruzeiro.

 

Quando vi a televisão ligada e o programa passando o que queria ver, sorri. Pedi licença ao militar que estava na recepção da clínica para assistir os melhores momentos. Ele permitiu e eu pude realizar meu desejo.

 

Antes de refletir a respeito, colocarei mais uma fala do Amit Goswami:

 

“O filme O Segredo é particularmente falacioso, pois ele diz que você pode atrair um desejo específico para você apenas sentando-se e esperando por ele. Eu não compartilho dessa forma de entender como as coisas são atraídas.

            “Sim, as coisas podem ser atraídas, mas você deve desejar ADEQUADAMENTE, lembrando que sua intenção deve alinhar-se com a consciência cósmica e que você deve ser criativo ao desejar.

            “Por isso você não pode simplesmente não fazer nada e esperar que as coisas venham até você. Sim, a criatividade vem a nos, mas somente se trabalharmos e esperarmos, se trabalharmos e RELAXARMOS. Isso é amplamente conhecido, que o relaxamento é necessário para uma experiência criativa.”

 

Eu senti o efeito do relaxamento, o quanto a respiração feita de forma consciente me deixou relaxado, sereno e aberto ao inesperado. E a oportunidade veio ao passar em frente à clínica dos militares, onde na recepção passava os melhores momentos (realização do meu desejo). Se eu tivesse ficado reclamando, pensando no quanto a vida é injusta, no quanto me distraí ao não deixar gravando o Globo Esporte, etc., eu poderia ter perdido essa oportunidade. Ou não tê-la percebido.

 

Amit diz que “a consciência escolhe, dentre essas possibilidades, uma faceta e esta faceta se torna um evento real da experiência consciente. Essa escolha se dá no nível de um estado incomum da consciência, de unidade cósmica onde todos nós estamos interconectados. Essa interconexão da consciência é chamada de não-localidade quântica.”

 

Senti que tive uma experiência co-criadora. Sim, para um desejo socialmente julgado como “ridículo”: ver os melhores momentos de uma vitória de virada do time que torço. Eu sempre digo que não vale tanto a APARÊNCIA da experiência, mas, sim, o APRENDIZADO veiculado por ela. Desejo é desejo, por mais fútil ou nobre que possa parecer.

 

Lembro de um colega do Curso de Filosofia. Ele fazia o 3o.período e eu o 5o. Ele era um cara muito estranho. Ficava na dele. Não cumprimentava ninguém. Só tinha um cara que ele conversava frequentemente: o irmão da minha namorada daquela época. Esse colega do 3o.período vivia de cara fechada. E conseguia não ser contagiado pelo clima de fraternidade entre a maioria de nós. Havia uma amizade entre a galera dali, do prédio 6, onde estudantes de Filosofia, História e Letras se relacionavam de forma muito bacana.

 

No outro semestre, houve uma transformação. Ele se transformou! Passou a cumprimentar todos, ampliar seu círculo de amizades. Seu semblante mudou. Um sorriso cativante, um papo agradável e uma energia dinâmica passaram a ser irradiados pela personalidade desse colega.

 

O que fez ele mudar de tal forma??? A política!!! Sim… ele decidiu se eleger para o D.A. de Filosofia. Presidia uma chapa que iria concorrer na próxima eleição.

 

Um desejo “sujo”, de se envolver com política, como alguns podem julgar (e eu assim julgava naquela época) fez ele passar por um aprendizado e tanto: vencer a timidez, se socializar, estabelecer relações e buscar a realização do que queria. Por mais que ele tenha se motivado a se relacionar para ter votos, ser eleito como presidente do DA de Filosofia, esse desejo “interesseiro” dele o levou a uma bela mudança. Mostrou ser um cara simpático, não daqueles que puxam o saco – ou se mostram muito forçados socialmente – para ter voto.

 

O que quis dizer com isso? Não importa se o desejo é fútil, “sujo”, hipócrita, superficial. O que importa é o aprendizado pelo qual passaremos enquanto buscamos realizar tal desejo.

 

Beijãozão nocês…

Yub


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