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O Ritual: Possessão/Mediunidade X Psicose/Esquizofrenia

Durante o curso de Filosofia (1996-1999) que fiz na PUC/MG, tive diversas disciplinas de psicologia. Uma delas, da professora Iêda (ela era psiquiatra), abordava várias doenças. Seus sintomas eram descritos em detalhes, junto com seus respectivos nomes e definições. 
Eu olhava para cada descrição e ficava chocado. Por quê? Porque se os psiquiatras fizessem uma visitinha a algum centro espírita e tivessem contato mais estreito com os médiuns da casa, eles levariam todos para o hospital psiquiátrico. Seriam internados. Enfim, os psiquiatras podiam mudar de ambiente de trabalho. Seus doentes se encontravam no centro espírita.
Falo isso por experiência própria. Já frequentei durante um ano a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Batista da família de meu cunhado. E também frequentei durante vários anos um centro espírita (reuniões de passes e de desobsessões). Sem contar os vários anos de experimentações e visitas em outros centros, como de umbanda e esotéricos. 
Ao ler aquelas descrições de sintomas, eu fiquei apavorado. Porque no meu processo de “desenvolvimento da mediunidade”, eu passava por vários deles, como ver espíritos, senti-los e ouvi-los (alucinações visuais e auditivas??). E eu não queria ser internado. Teve uma época que assustei minha mãe. Disse que se ela não me internasse, tudo ficaria bem. Mas foi dramaticidade de minha parte. Não tive nenhum problema tão grave nesse sentido…
E o fato de ter assistido o filme O RITUAL na sexta-feira passada com a Cris me fez questionar aquela velha dúvida: é possessão de um espírito ou é psicose? A pessoa está com a “mediunidade desequilibrada” ou está num surto psicótico? É médium ou esquizofrênica?
Eu e a Cris, ao lancharmos após o filme, proseamos a respeito dessa questão. Temos uma visão diferente a respeito desses eventos em comparação com a que tínhamos há anos atrás. E, por isso, quis escrever aqui no Blog.
Eu creio que cada centro espírita deveria ter a presença de um psicólogo em cada reunião de desobsessão. E também a disponibilidade de atendimento desse profissional ali mesmo no centro espírita, para que cada médium, se quisesse, fizesse essa consulta psicológica. 
Como não via esse movimento nos centros espíritas que transitei e participei, justamente por esse fanatismo religioso de se seguir Kardec à risca, sem adaptar suas informações à época de hoje, creio que é algo revolucionário. E talvez porque espantaria muitos médiuns do respectivo centro espírita que disponibilizasse um psicólogo de plantão. Pois poucos são os que querem ser “analisados.” Difícil admitir que tem problema. Pouquíssimos querem sair da posição orgulhosa de “sou forte” e só os “fracos” precisam de terapia. “Eu consigo resolver meus problemas sozinho.”  
Eis o erro, a meu ver, de se considerar as questões de mediunidade exclusivamente “espirituais.” Assim como o corpo está em plena conexão com o mental, o emocional e o psíquico, o espiritual também faz parte dessa integração. Não somos partes separadas. Somos um todo, com partes interligadas. 
O filme me mostrou a importância de se questionar e de se investigar as causas dos atuais problemas gerados pela “possessão demoníaca.” E não vejo utilidade duradoura na doutrinação dos espíritos obsessores. Porque vi vários exemplos no centro espírita da obsessão retornando, justamente porque é preciso “doutrinar” o médium e não o obsessor. Enquanto o médium não mudava seus hábitos mentais, físicos, emocionais e comportamentais, ele abria brecha para ser obsediado novamente. E assim mantinha esse círculo vicioso. 
A doutrinação de um espírito obsessor ou o “tá amarrado, em nome de Jesus e vá queimar no inferno” dos evangélicos são apenas paliativos, espetáculos de uma falsa solução, de uma temporária melhora. Porque se não se muda a tão propagada sintonia (hábitos de vida), mudam-se os obsessores, mas permanece a obsessão. 
O filme me mostrou a importância de um tratamento em conjunto, psíquico e espiritual. A terapia junto com o “desenvolvimento da mediunidade.” Não há exorcismo (doutrinação ou “queima Jesus!”) que resolva. Porque os problemas psicológicos e o estilo de vida da pessoa é que determinam a possessão. São as brechas para as influências espirituais atuarem no corpo da pessoa, tomando POSSE sobre ela. Daí a importância de uma bela terapia (tratamento psicológico).
Meu amigo-irmão de alma Lázaro Freire escreveu com muita propriedade sobre essa atuação terapêutica na Lista Voadores, do yahoogrupos:
Beijãozão nocês…
Yub

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