Precisamos falar sobre o Kevin: A culpa é da mãe?

 

Há alguns anos, minha cunhada Patrícia me falou sobre o livro “Precisamos falar sobre o Kevin.” Ela tinha lido e me emprestou.

Ao iniciar a leitura, fiquei impactado com a intensidade da forma como a autora escrevia. E fui devorando o livro. Como gosto de saber os dados natais das pessoas e considerava que Kevin era um jovem que tinha realmente assassinado colegas de escola nos EUA, procurei por seu nome completo e sua data de nascimento. E não achava nem a pau.

Desanimei. Não queria continuar a leitura sem saber esses dados. Fui ler outras coisas, também porque até a metade do livro a autora não abordava a personalidade do pequeno. Parei na parte em que ele nascera, mas já impaciente por não ter ido direto no assunto: Kevin.

Porém, nessa segunda-feira, eu, Cris e minha cunhada fomos assistir ao filme Precisamos falar sobre o Kevin.

Capa e Cartaz do filme Precisamos Falar Sobre o Kevin

Foi ao assisstir o filme que vi a importância do livro ficar muitas páginas falando sobre Eva (a mãe de Kevin) e o relacionamento com seu marido. Esse contexto é fundamental para entendermos o que cercou Kevin em seu nascimento.

Sua mãe não queria a gravidez e estava focada em viajar, trabalhar na sua empresa de turismo, etc.

O ator que representou Kevin me lembrou muito o ator que representou Hannibal – a origem do mal. Deu um SHOW!!

Eu saí do cinema intrigado com a injustiça que se faz às mães. Pôrra, a culpa do filho ser assim, assim e assado é SEMPRE da mãe??? Que sociedade mais machista a nossa que detona a mulher também dessa forma…

Visivelmente, fica parecendo que a culpa de Kevin ser do jeito que é se deve à Eva. Mas se prestarmos atenção no comportamento do pai de Kevin, veremos o quanto este também tem uma baita influência no desenvolvimento da personalidade do garoto. Um pai que só vê as qualidades do filho, vendo-o perfeito. E quando os defeitos e os comportamentos “sociopatas” do filho despontam, ele nega enxergá-los assim.

E quando a gente não vê o lado sombra de alguém, apenas idealizando a pessoa (seja o filho ou o namorado/a namorada), esses defeitos um dia se tornarão notórios. Não tem jeito. É a lei da compensação que Jung tanto falava. O lado renegado tomará as rédeas e aprontará muita merda.

Foi o que aconteceu com Kevin, justamente pelo PAI não ter dado ouvidos à sua mulher (mãe do garoto). Eva falava o quanto Kevin a exauria, a provocava, a irritava, a afrontava. Falava sobre as diabruras do garoto. E o pai não acreditava em Eva. Deixava seu filho lá no pedestal. Considerava-o um garoto perfeito.

Deu no que deu. A culpa não é de ninguém. A responsabilidade é de todos que conviviam com o garoto, principalmente do pai e da mãe.

Eu acredito que uma pessoa já nasça com um potencial, com certas tendências. No caso de Kevin (por mais que ele seja um personagem de ficção, mas representando vários jovens que assassinaram outros tantos nas tragédias escolares americanas), ele nasceu com uma tendência sociopata. E o modo como foi criado, as circunstâncias familiares em que nasceu e outros detalhes de seu desenvolvimento contribuíram para “ativar” essa tendência à sociopatia.

É preciso muito cuidado, consciência e responsabilidade na maneira como contribuímos ou não para o desenvolvimento de certas tendências e potenciais de uma criança. Ninguém é inocente. Somos todos responsáveis.

Beijãozão nocês…
Yub

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *