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Um episódio marcante da minha infância…

 
Quando eu era criança, morava no Bairro Serra aqui em Belo Horizonte/MG. Mais especificamente na Rua Caraça. Na Esquina de minha rua com a Rua do Ouro, havia um bar.
 
Certa manhã, num Sábado, eu me assustei. Ouvi uma gritaria danada lá fora. Gente berrando e barulhos impactantes de porrada. Parecia que uma briga daquelas, com direito a pauladas e porretadas, envolvia muitas pessoas enlouquecidas.
 
Olhei para meus pais, complemetamente apavorado. Meu olhar de temor, principalmente por não saber o que de fato ocorria na rua e imaginando que aquela pancadaria irrompesse nossa porta, foi entendido por eles. E meu pai disse que estavam malhando o Judas. Ele complementou:
 
– Pode chegar na janela. Você verá o que é isso.
 
Eu, apreensivo (depois sobrava pra mim), cheguei todo temeroso à janela. De mansinho, estiquei meu pescoço e dei uma olhada na rua. Aí que tomei um susto danado. Vi um imenso boneco de pano, repleto de palha e roupas largas, esticado tal como um espantalho num poste de madeira. E uma renca de gente xingando e decendo a porrada com chutes, socos, porretes, vassouradas.
 
Achei aquilo tudo muito estranho. Tive uma sensação ruim. Nunca gostei de presenciar cenas de fúria de uma multidão ensandecida. Ainda mais sobre um treco tão feio que era aquele boneco. Sempre detestei espantalhos. Morria de medo deles quando os via no sítio de meu tio. Parecia gente sem vida. Não sei se a presença do espantalho servia para manter os pássaros longe da horta. Mas com certeza me mantinha bem distante dali e de toda a região que circundava as plantações.
 
Nunca mais vi aquela cena violenta e sem sentido. Sim, desde novinho procurava um sentido, um propósito, um significado para algo. Deve ser meu stellium (3 ou mais Planetas) na Casa 9. rsrs
 
Quando comecei minha viagem ao universo simbólico, principalmente por meio do estudo da Psicologia Analítica, me lembrei daquela cena. E associei JUDAS (Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus) à nossa Sombra.
 
Então, se as pessoas reagiam daquela forma com o boneco que representava Judas, o Traidor, será que esse gesto agressivo, violento e carregado de ódio mostrava algo bem relevante a respeito do modo como elas viviam sua Sombra???
 
Hummmm… péssimo sinal.
 
Quando, no ônibus hoje, após prosear com meu amigo cineasta Luis Claudio Papini, voltava para casa, eu vi um camaradinha lendo o jornal Super. Cada estado do país deve ter um jornal desse estilo, repleto de sensacionalismo e de notícias/matérias que faltam respingar sangue em quem as lê. Aqui esse jornal se chama Super. É baratinho. E grande parte da população de baixa renda devora seu conteúdo (pelo menos, quem sabe, tal jornal exerce uma função bem bacana: pode estimular as pessoas a lerem. Sou OTIMISTA).
 
Ao ver o cara lendo aquelas notícias mais sangrentas, observei um detalhe: havia também uma notícia sobre São Judas. Lá estava escrito que hoje (dia 28/10) é dia desse santo. Não creio que tenha a ver com Judas Iscariotes. Não, não tem. É um santo que dizem ter vivido em 30 d.C. Mas foi o suficiente para eu retornar a essa associação: malhação do Judas (o Iscariotes) com o nosso modo de viver a Sombra. E agora vemos e lemos as piores notícias nos telejornais e nos jornais como um substituto ainda capenga da conscientização e expressão criativa/construtiva de nossa Sombra…
 
Às vezes acho que nós, a humanidade, não evoluímos porra nenhuma. Lembram de filmes em que pessoas são queimadas na fogueira ou enforcadas/guilhotinadas em praça pública?  Com a multidão aguardando, sedenta, o evento, como se fosse o show do ano? O que será que atraía tanta gente assim? Será que era a sensação de que há outras pessoas em piores condições e isso dava um certo alento aos que continuavam sobrevivendo? Ou simplesmente aquela avidez em assistir um ato tão brutal (ou natural?) revelava que a humanidade se nutre de tragédia, de horror?
 
 
Bodes expiatórios parecem “gastar” uma energia que cabe a nós canalizarmos. Mas como não conseguimos nem vislumbrar a existência dessa energia com um mínimo de consciência – para a empregarmos de um modo mais vital, criativo e construtivo -, é melhor alguém ser julgado, chutado, queimado e violentado, muitas vezes de forma sádia, não é mesmo?
 
Porém, caímos naquela armadilha: a projeção em alguém de algo que cabe a nós viver, faz esse alguém viver esse algo da pior maneira possível. E acumula em nós a urgência de viver essa energia, essa necessidade psíquica. Quanto mais a gente foge da vida, mais ela nos persegue…
 
Beijãozão mercúrio/sol em Escorpião em Quadratura com Marte em Leão…
Yub


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